SIMBÓLICO E DIABÓLICO

Muito se fala do poder dos símbolos. Algo capaz de sintetizar toda uma idéia, conceito, motivo, razão e circunstância de um fato em um desenho. Também ouvimos falar de uma realidade simbólica. Mas o que é o símbolo?

Em grego, seria a união de duas palavras “Sin” (junto, perto, ao lado) + “Bolós” (levar, movimentar, trazer, bailar), que numa leitura imediata quer dizer: trazer para junto. Assim, todo símbolo tem por função trazer o que representa.

Nenhum símbolo é o que representa, mas de algum modo, faz presente aquilo que indica. Como uma imagem sobre a mesa da casa de uma família, de modo algum aquele objeto é divino, mas é sagrado na medida em que traz presente a fé daquele que o depositou lá.

Também está presente nas diversas culturas a realidade diabólica. Não se trata de uma personificação do mal, como faz uma fé mais simplória e menos depurada. Mas sim de um movimento oposto ao do símbolo. Do grego, diabólico seria a junção de “Dia” (longe, distante, fora de) + “Bolós” (levar, movimentar, trazer, bailar), ou seja, dividir, separar, levar para longe.

Assim, toda atitude de divisão, de separação, é uma atitude diabólica. Há no grego a palavra “daimon”, algumas vezes traduzidas por demônio, mas que nada mais é do que uma força de ebulição, uma força interna que leva as pessoas a fazer o que deve ser feito, uma inspiração.

O cristianismo, sob influência persa, se torna dualista a partir do IV século. Não que não houvesse o mal, mas este não era regido por uma entidade, como foi chamado de demônio. Na verdade o cristianismo primitivo tinha somente Javé, seu filho Jesus e o Santo Espírito.

Na Idade média emerge a figura do diabo, como aquele que tenta os homens contra Deus. Surge então uma teologia do medo do mal. O mal deixa de ser fruto da opção humana, passando a ser fruto da tentação de um deus menor, muito poderoso, chamado diabo.

Hoje, buscamos uma vida mais simbólica, regida pelo “Símbolo”. Sem toda a ação diabólica. Nossa felicidade está naquilo que conseguimos fazer sem divisões, sem trocas, e sem desavenças e separações.
Toda divisão é fruto de uma ação diabólica, a divisão parte de um dualismo que gera inimizade e desamor. O desamor cristão está fundado em seu dualismo intrínseco, pois essa divisão gera dois caminhos, duas verdades, dois pontos de vista. Onde cada um é certo de suas certezas e cada um tem toda razão naquilo que diz e faz.

Portanto, a simbolização é uma capacidade essencialmente humana. A memória, a imaginação e as impressões psíquicas empregam essa função. Os animais aprendem a utilizar os símbolos, mas são incapazes de simbolizar.
Uma grande parte do conhecimento nos chega através dos símbolos. As religiões os utilizam, a Ciência, o misticismo, a mitologia, bem como os sonhos, as alegorias, os contos de fadas e os rituais.

O mesmo se compõe de forma e significado. A forma é o seu componente objetivo, material ou perceptivo. O significado é o fator inconsciente, conceptual e emocional que é representado pela forma.

A verdadeira simbolização é um processo automático e inconsciente, mas os símbolos psíquicos devem ser expressos em termos de fenômenos objetivos, para que possamos tomar consciência dos mesmos e compreendê-los.

A forma de um objeto é percebida, apreendida objetivamente, e se torna parte da memória individual. Esta memória é, então, associada ao significado ou à parte inconsciente do símbolo.



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